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terça-feira, 30 de setembro de 2014

O sentido da vida ou um prato cheio de tremoços

E o que é que consegui com isto tudo?
Pois, acho que nem eu sei a verdadeira resposta a esta questão. Desde que escrevi aqui pela última vez já passei de ex-fumador a fumador social, usando isto como desculpa para fumar um cigarro por dia. O que significa que as rachas começam a aparecer no meu plano de conquista mundial.
Porquê, pergunta o leitor que vem tirar as teias de aranha deste blog? Porque atingir o zen em Portugal é uma tarefa impossível. Entre os stresses do trabalho e da vida real, os últimos acontecimentos e desgraças que nos atingem diariamente, a sensação que a invasão de zombies nunca mais chega...escolham uma e decidam.
O certo é que esta minha cobardia contribui para o dito zen. A nicotina ingerida naquele momento não serve nem para me encher um álveolo de um pulmão, mas a sensação que obtenho naquele momento equivale a anos de terapia. Por isso é que é tão difícil deixar de fumar. Todos sabemos que aquilo mata. Todos sabemos que é mau. O que toda a gente se esquece é que, depois de 20 anos de hábito de uma coisa, é virtualmente impossível deixarmos de gostar dela assim de repente. Senão, todos os amantes de animais deixavam de consumir carne.
Por isso, insultem-me, chamem-me cobarde, chutem-me nos tintins...eu vou só ali acender um cigarro enquanto o fazem.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O desemprego

Ora, estar desempregado é algo que é chato. Pelo menos para mim, que não fui educado para ser um parasita da sociedade, tipo político. Mais chato ainda é a forma com que este país lida com os desempregados.
As situações pelas quais passei desde que assumi esta faceta da minha vida davam para escrever um livro. Do tamanho da Bíblia. Em vários volumes.
As filas, meu Deus, as filas. É desumano a quantidade de filas pelas quais passei (e ainda passo) sempre que preciso de resolver alguma coisa no IEFP ou na Seg. Social. Como mudei de residência, já passei por dois centros do dito órgão e as filas estão sempre lá. Sempre. Ao ponto de já ter adoptado o sistema do velhinho no centro de saúde e ir para lá uma hora ou mais antes daquilo abrir. Assim, em vez de ter 200 pessoas à minha frente, tenho só 100.
E as brilhantes conversas que se ouvem enquanto se perdem horas para ser atendido? Um clássico. Desde o velhinho "...no estrangeiro não é nada assim, porque tenho um primo ná França..." ao típico "´...isto é tudo uma cambada de gatunos, chupistas,...", tudo se ouve durante esta tortura.
Mas nem é este o meu aspecto favorito da coisa. O melhor são as apresentações quinzenais. Os desempregados têm de passar por um processo que nem os prisioneiros em condicional passam em Portugal. Apresentarem-se a cada quinze dias numa junta de freguesia ou coisa que o valha. Para quê? Ninguém sabe ao certo. Claro que estamos a falar de mais filas para nos entretermos com as conversas alheias.
Também já passei pelas sessões de esclarecimento. Várias. Que me esclareceram de uma coisa óbvia. O IEFP não está preparado para licenciados desempregados. Pior, não está preparado para professores desempregados. À pergunta "Essa medida aplica-se a licenciados?", invariavelmente ouvi a resposta "Não.". Mais tempo perdido, mais umas conversas da treta acumuladas.
No meio disto tudo, pergunto-me: "Mas o IEFP não serve para arranjar emprego aos desempregados?". Não. Perdi horas em filas para tratar de papéis, perdi horas em sessões de esclarecimento, apresento-me a cada quinze dias para justificar um subsídio que demorou três meses a ser aprovado, mas ainda não recebi uma única proposta de emprego desde que me inscrevi. Nada.
O que torna tudo isto simples de perceber. Se eu não mexer o meu bonito rabo para me safar, não serão estes senhores a fazê-lo por mim. A não ser que envolva filas...