domingo, 2 de novembro de 2008

Uma década

Hoje fazem dez anos. Dez anos em que sou feliz. Dez anos em que me aquecem os pés. Dez anos em que ouço músicas espanholas estúpidas. Dez anos em que sou obrigado a combinar cores e a andar com a barba aparada. Dez anos a ser amado e a amar.
Existem muitas coisas que nos unem. Uma delas é viajar. Por isso, e de forma a partilhar todos os locais maravilhosos por onde passámos, criámos um blog para mostrar as fotos das nossas viagens. Só mesmo as fotos, sem texto. Porque uma imagem vale mais que mil palavras.


Clique na imagem para ver este maravilhoso blog


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

IRRA

Sempre me irritou o facto de se celebrar o Halloween em Portugal. É uma festa que nada tem que ver connosco. Eu sei que mais cedo ou mais tarde isto será quase um feriado, mas não mete lógica nenhuma.
Um pouco de história ajuda-nos a perceber que foram os Irlandeses quem criou o conceito do Halloween, num festejo que celebrava o fim das colheitas. Os Druidas acreditavam que de 31 para 1 o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se juntavam.
Um Papa qualquer (não me lembro do nome) achou que isto é paganismo a mais e resolveu celebrar neste mesmo dia o All Hallows' Eve (véspera de Todos os Santos).
Uns caramelos quaisquer resolveram que neste dia deveria andar-se de porta em porta a pedir doces ou a fazer trampa e lanternas com abóboras e tudo e tudo.
Mistura-se isto tudo e chega-se ao Halloween. O que é que isto tem que ver com Portugal? Nada.


O que tem a ver com Portugal é o facto de no dia 1 de Novembro se celebrar o Dia de Todos os Santos ou Dia de Finados. Um dia em que se homenageia aqueles que não estão entre nós. Em que se levam flores ao cemitério. Um dia em que as crianças se juntam em bandos para pedir o pão por Deus, batendo de porta em porta recitando poemas e versos e recebendo as oferendas em sacos de pano. Isso é Português.
Claro que essas tradições estão a ser postas de parte. O que interessa é o folclore do Halloween.

A única coisa boa que veio do Halloween foi mesmo o "Nightmare Before Christmas" do Tim Burton.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

VENDO


Bicicleta de manutenção multiusos. Tem servido cá em casa para cabide de roupa, acumulador de pó e teias de aranha e toturador de incautos dedos pequenos dos pés alheios quando as luzes estão apagadas.
Funciona na perfeição, sendo que foi apenas usada durante crises existenciais de "Ai, estou gorda!" pontuais (um dia por mês, com apenas alguns minutos de exercício real).
Não certifico a efectiva perda de peso, visto que nunca foi provado cá em casa que a bicicleta efectivamente consegue fazer o que se propõe.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Na saúde e na doença...

No dia do casamento existe um momento giro, aquele em que juramos montes de coisas. Chamam-se votos. Todos choram, todos queriam estar naquele altar, é um momento lindo e cheio de amor para dar e vender.
Claro que as letrinhas pequeninas que acompanham cada um desses votos continuam por ser lidas por todos os casais que passam por esse momento.
Vejamos a questão do voto "Na saúde e na doença...". Ora, isso é tudo muito cheio de romantismo, a ideia de ficar sempre ao lado do amado mesmo quando ele está cheio de ranho e com um aspecto de arrumador de carros ressacado. Ou então, quando o nosso ente amado é atacado por um fortíssimo ataque de flatulência, nós ficamos ao lado dele com uma lágrima no canto do olho por pura solidariedade.
Ou então o voto "Na alegria e na tristeza...". Sim, quando a pessoa está feliz tudo é fácil. E então, nós fazemos tudo para que a pessoa fique sempre feliz. Mesmo que isso nos provoque a doença. Tudo por um romantismo jurado no dia do casamento.
Isto tudo porquê? Porque ontem senti uma doença chamada "Estão-me a arrancar o fígado com um pinça em chamas". Eu explico. Resolvi tornar o fim do dia da minha querida Maria um momento de felicidade e sendo que ela é grande fã dos ABBA, vimos o Mamma Mia. Uma hora e 42 minutos depois, estava no meu leito de morte a pensar que afinal os votos do casamento estão sobrevalorizados.

E já agora, quem é que disse ao Pierce Brosnan que sabia cantar?

domingo, 26 de outubro de 2008

O envelhecimento de um povo

Portugal está a ficar velho. Não sou eu que o digo, são todas as estatísticas feitas por aqueles que percebem alguma coisa de estatísticas. E esses senhores dizem que Portugal está a ficar mais velho.
O que é que se entende por mais velho, perguntam vocês? Simples, respondo eu, como grande génio que sou. Portugal deixou de criar novos rebentos porque a crise e as carreiras profissionais e a crise e a crise. O problema é que a terceira idade agora tem acesso a uma coisa chamada medicina que lhes prolonga a vida, causando um ...ahhh... prolongamento de vida. Trocando isto por miúdos, há mais velhos que bebés (curiosamente, numa altura ou outra da sua vida, ambos se babam).
Onde é que eu quero chegar com isto? Ao novo projecto do governo para inverter este envelhecimento das suas gentes. Num projecto inovador em qualquer país, onde se tenta tornar os velhos deste país em crianças. Assim, não só libertam as maternidades, como permitem baixar as estatísticas. E como é que eles tencionam fazer isto? Simples. Obrigam os velhos a verem programas televisivos com teor infantil para que o seu cérebro se infantilize.
O quê? Não acreditam? Então experimentem entrar num café cheio de terceira idade num sábado ou domingo de manhã e vejam que programa é que está a passar na televisão.



Lucy...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Obrigado Rita...

O Sr. Blogger continua a surpreender. Mas desta vez conseguiu um efeito a que eu gosto de chamar "borrar-me todo na cuequinha, daquela maneira que só os bebés sabem fazer".
Estava eu a abrir o Sr. Blogger, para ver se o post do duelo Herman vs. Fátima já tinha trazido mais algum comentador irado, quando me deparo com o seguinte cenário:


Ora, a questão da palavra Seguidor fez-me pensar automaticamente em Stalker, aqueles gajos que perseguem o pessoal e nos fazem dormir com uma arma debaixo da almofada. Aqueles que nos fazem começar a olhar para trás sempre que andamos na rua e nos fazem duvidar até da nossa própria existência. Como tinha acabado de irritar o Anónimo (que suspeito tratar-se de uma anónima, devido à forma como esgrimiu os seus argumentos que ainda se encontram por validar), estava já a pensar que este se teria dado ao esforço de começar uma intensa perseguição que levaria, inevitavelmente, à minha morte num aparatoso acidente com um urso de peluche.
Claro que a minha mente me traiu. Afinal era mesmo só mais uma funcionalidade do Sr. Blogger, que serve para nos afagar o ego com a existência de fãs do blog.

Confesso que fiquei triste. Como bom Português, por momentos. convenci-me que todas as minhas teorias de conspiração estavam finalmente a ser provadas. E assim, passei apenas a ser mais um idiota com uma ideia idiota. Sniff...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A visão do mundo

Duas coisas que me animaram o dia:

A primeira é de daquelas coisas que acabam por meter piada por serem tão estúpidas. Kate Perry, a menina que canta que deu uma bejufa numa rapariga e que gostou (nada como promover a sexualidade para vender discos), resolveu fazer uma actuação digna da sua música nos MTV Latin Grammys. Com um fatinho idêntico ao de qualquer stripper, estava a cantar o seu êxito e resolve atirar-se para cima de um bolo gigante que estava no palco (sim, eu também fiquei a pensar no porquê de estar um bolo no meio do palco, mas pronto, cada um na sua). Toda suja de bolo ri-se e acaba a actuação. Giro. Eu também achei. Achei ainda mais giro quando ela tentou sair do palco cheia de bolo por todo o lado (todo o lado mesmo). Ora, aquela questão do chão com matérias tipo chantilly e natas e isso...pois é. Alguém descobriu em directo que por vezes existem ideias que correm melhor na cabeça que na vida real.
I kissed the floor...

A segunda coisa. Momento maravilhoso de televisão. Herman José apresenta a Roda da Sorte. Quem já viu aquilo sabe que tudo é possível, desde receitas a perfeitas idiotices. Herman tem aquele estatuto que já lhe permite fazer tudo. E nós agradecemos.
Ontem, Herman recebe uma mensagem de uma amiga que está a tirar Jornalismo. Essa amiga dizia-lhe que estava a ter uma aula com a Fátima Campos Ferreira. E que esta tinha pedido à turma para lhe darem exemplos de comunicadores famosos. Os alunos escolheram maioritariamente Herman e Carlos Cruz. Fátima Campos Ferreira afirma que o Herman se tinha queimado desde que apresentou talk shows. Infelizmente para Fátima, Herman conhecia alguém na sala de aula. Felizmente para nós. Durante todo o programa Herman, visivelmente chateado com a situação, axincalhou a Sô Dona Fátima. Mas, o meu comentário favorito foi mesmo: "Ela deve telefonar aos políticos a dizer que os adora e a pedir desculpas pelo tratamento que sofreram no programa."
Senti-me vingado pelos Prós e Contras sobre a Educação, em que a Sô Dona Fátima mandava calar os professores (sim, mandava calar) porque os mesmos se estavam a passar com as barbariedades que a Ministra proferia. Obrigado Herman. Sou novamente fã.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sextas-feiras

Deviam receber um qualquer prémio. As sextas-feiras. É um maravilhoso dia (isto para quem não trabalha ao fds, coisa que também já fiz, portanto parem de me invejar...HAHA).
Chego às 18h e penso que durante dois dias vou poder estar em casa de pijama a coçar o escroto e a ver televisão agarrado à minha esposa, debaixo de uma mantinha. Existe lá coisa melhor que isso?
Claro que isto é uma afirmação de alguém que tem 70 anos mentais mas, cada vez mais gosto de ficar no meu canto e, como o dinheiro não abunda, tenho mesmo de fazer isto. E gosto. Gosto de não me mexer, gosto de comer comida javarda, de não fazer nenhum. Sinto-me bem.
Curiosamente, os 70 anos mentais também me trouxeram algo bom. Os domingos. Não me sinto pressionado por saber que no dia seguinte tenho de ir trabalhar. O dia seguinte é o dia seguinte. O domingo ainda é para estar de pijama.
A velhice começa a pesar-me nos ossos. Mas a sabedoria que vem com ela é mesma boa.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ah, e ontem fui ver este senhor...


Quem é, quem é???

Ausência..

Dou por mim agarrado ao computador, mas sem nenhum interesse em escrever seja o que for neste blog. Porquê? Porque no último mês descobri o Photoshop. Sim, aquele maravilhoso programa em que eu consigo fazer com que o meu cabelo cresça, a minha barriga diminua e a minha esposa se cale...
Estou a delirar com as absolutas maravilhas que se consegue fazer com isso. Tenho feito de tudo e tento fazer ainda mais. A minha querida Maria adora que aprenda a trabalhar nestes programas, porque posso tirar-lhe umas coisinhas aqui, levantar outras ali, limpar umas certas imperfeições...enfim, faço em algumas horas o que um cirurgião demoraria a fazer em alguns meses.

Deixo aqui um exemplo das coisas que ando a fazer. Espero que gostem.



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sorte típica...

Jogo no Euromilhões desde que o mesmo existe. Todas as semanas, 2€ por semana. O que faz com que a Santa Casa já me deva um louvor por ajudar tanta causa perdida. Sim, porque eu invisto na Santa Casa, mas a Santa Casa teima em não me retribuir o investimento. Nunca.
Fui à praia uma vez neste ano. Escolhi o dia, fiz o lanche, vi os boletins meteorológicos que diziam que ia estar um dia de sol. Peguei na melancia e no garrafão e fiz-me à estrada. Chego à praia de manhã cedo e nem um raio de sol. Pensei que o tempo fosse melhorar e aguardei pacientemente. Nem uma porra de um raio de sol até às três da tarde. Pego no carro e vou-me embora, amaldiçoando o Anthímio de Azevedo. 40 km depois sou atingido pelo Astro Rei. Mesmo no trombil. Faço o resto da viagem a resmungar uma ladaínha demoníaca, tal como descrito pela Maria. Ah, esqueci-me de mencionar: apanhei um escaldão na cara durante a viagem.
Fui às compras a um Outlet (o € está curto, e está na moda sai caro). Encontro o casaco dos meus sonhos por 10€. Procuro o meu tamanho. Nada. Aceitando bastante bem a derrota, dirijo-me para a saída da loja. E foi aí que apareceu a luz do Graal. O casaco dos meus sonhos e com o meu tamanho. Vou a correr que nem uma adolescente que foi cuspida por um membro dos Tokio Hotel partilhar o meu momento com a minha esposa. Quando estou a dar a volta (qual Julia Roberts no Pretty Woman), ela diz-me que o casaco tinha um rasgão nas costas. Largo o casaco no chão, começo a correr enquanto agito os braços energicamente e grito palavras em Árabe.
Um destes dias conto mais umas...

domingo, 14 de setembro de 2008

The boy is back in town

Para todos os arautos ed má fé que julgam que este blog entregou a alma ao criador, desenganem-se. O Grande Mestre Eskisito está de volta. Amén!
A minha vida nestes últimos tempos tem sido uma verdadeira montanha russa de situações e complicações. Nada que não me deixasse à beira de uma depressão nervosa (a sorte que eu tenho em não ser rico).
Trabalhei no meio de loucos, carreguei porcos e alinhei bifinhos. Aprendi a simular lesões e tornei-me um herói sem reconhecimento.
Fui ao Avante, vi amigos de sempre e senti-me vivo outra vez. Ouvi a palavra camarada vezes demais e bebi um pouco de menos.
Começo a dar aulas segunda-feira. Ainda nas AEC. no mesmo fadário de sempre. Mas já me fazia falta. Nem que seja para ser tratado por Sr. Professor.
Conheci a Simone de Oliveira e o Vitor de Sousa. As simpatias em pessoa. A Sr.ª Desfolhada e o maior declamador vivo de poemas em Portugal mostraram o que é realmente uma vedeta.
Tenho muitas outras coisas na cabeça, mas não me sai nada. Resultado dos neurónios que queimei ao longo destes meses.
O que interessa é que estou de volta, pior que nunca. Podem começar a pegar nas lâminas de barbear e a preparar os pulsos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

De passagem por Fátima, deparo-me com...

Passo por aqui apenas para mostrar que estou vivo e que adoro os portugueses.




...logo...



Depois eu é que tenho mau feitio...certo!


domingo, 17 de agosto de 2008

O Che Guevara encarnou em mim...

Desafio-me todos os dias.
Surpreendo-me todos os dias.
Vou matar alguém amanhã.

sábado, 16 de agosto de 2008

Coisas que me fazem saltar a tampa

Gostava de começar este post por valorizar as pessoas que me fazem falta. Que me animam, que me fazem companhia, que me fazem acreditar no sentido da vida.
Posto isto, quero mais é que o resto do mundo se fornique contra uma parede com um poste de luz barrado de areia pelo esfíncter anal acima. A sério. Começa a irritar-me aquela sensação de que todos podem opinar ou orientar a minha vida. Errado. Se nem eu o consigo fazer, muito menos esses retardados mentais conseguem.
Ando feliz. Por estranho que pareça, porque tudo corre mal. Ando feliz. Que nem uma criança que recebeu aquele brinquedo que sempre quis. Por isso, deixem-me estar em paz. Não me enervem, não me chateiem com as vossas baboseiras zen sobre a forma como devo fazer as coisas. Se algum dia passarem por metade do que eu passei na minha vida, pode ser que vos dê autorização para abrirem a boca. Se não, a alternativa está bem escrita lá em cima.

Faltam 4 dias. Depois volto a viver. E pode ser que o meu mau feitio desapareça.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Rabo entre as pernas

Tenho como chefe de secção uma miúda brasileira com sotaque português. Como se isso não fosse parvo o suficiente, ainda tem a módica idade de 23 anos. Pois é.
Ora eu tenho um problema com a autoridade em geral. Ainda mais tenho quando a pessoa que me dá ordens/instrucções tem menos uns quantos anos do que eu.
Tive o desprazer de ficar atrás dessa senhora na fila para o almoço. Eu tentei ignorar o facto, mas o raio do miúdo gótico que trabalha comugo começou a falar com a pessoa em causa. Ela começa com uma conversa de saber o que faz (o que após duas semanas sobre a sua alçada posso dizer que NÂO, NÃO SABES!), que aquilo tem de se fazer desta e daquela forma. Como se não fosse suficiente, ainda se vira para mim e diz "Você tem de andar mais e deixar de se arrastar por ali". O meu cérebro teve várias reacções, desde algumas com muito sangue até certas e determinadas imagens de colegas meus que fazem metade do que eu faço. Mas o meu savoir-faire disse-me para brincar com a situação. "Pois, a idade começa a pesar...hahahah!" (mais algum sangue).
Depois começa a dizer ao miúdo que tem de começar a usar a cabeça, porque existem maneiras de fazer aquilo e isto. E sempre que se saía com uma das suas "perguntas difíceis", eu respondia. Correctamente, como é óbvio.
Após umas boas 10 perguntas e respostas, resolvi virar-me para ela e sair-me com: "Sabe, eu já tive a sua idade, mas como sou mais velho, também tive um certo incremento nesse aspecto...não que queira dizer que sou mais inteligente que você."
Sempre a fazer amigos...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Falling down

Eu compreendo todos aqueles que um dia se passam da cabeça, pegam em armas e começam a matar todos os que lhe aparecem pela frente. A sério.
Dia de folga. Feliz e contente da vida. Nada para fazer a não ser nada. Vamos à cidade grande tratar de umas coisas sem importância e fazer umas compras. Vamos ao recém-aberto Jumbo. Ena pá.
Compramos a fruta, brincamos com as balanças maricas, em suma, passamos uma hora a fazer o que o pessoal da nossa condição financeira faz: ver coisas que nunca vamos ter dinheiro para comprar. Chego à caixa e vejo o Correio da Manhã. Hoje, sexta-feira, é dia de DVD semi-gratuito. Aproveitar, porque não há dinheiro para comprar dos não-gratuitos. ERRO.
Na caixa dizem-me que não sabem de oferta nenhuma com o jornal. Digo que não é oferta. Ela ignora e liga para o deus da coisa a perguntar o que há-de fazer. O deus da coisa diz-lhe que me mande ao Balcão de Acolhimento. Eu faço a piada do "...mas eu quero ir-me embora..." e ela fica a olhar para mim.
Chego ao Balcão de Acolhimento menos acolhedor da história. Duas bimbetes a mascar pastilha e com ar de prostitutas reles. Sem exagero. Fico uns bons dez minutos a ver uma senhora a reclamar porque lhe tinham cobrado seis vezes o mesmo pacote de massa. O que seria simples tornou-se complicado naquelas cabeças.
Finalmente sou atendido. Explico que quero o DVD que deveria vir com o jornal. Momento de silêncio. Nova série de telefonema para o deus da coisa. Aparece-me uma funcionária com todos os DVD's de oferta de todos os jornais, menos aquele que eu queria. Volto a ficar à espera dez minutos. Volta a funcionária, que depois de telefonar ao deus da coisa, me informa que não há DVD para ninguém. Digo que quero o reembolso do jornal, que obviamente não vou levar.
Volto a ser atendido pelas bimbetes. No talão que lhes entreguei diz que o jornal custou 1 euro e que tive um desconto de 10 cêntimos. Elas querem-me devolver dez cêntimos. Uma delas usa o segundo neurónio e resolve dar-me um euro. A outra volta à carga com os dez cêntimos. E finalmente, após outros dez minutos, recebo 90 cêntimos.
Resolvido? Não. Ainda precisavam do talão para retirarem uns dados. Mais cinco minutos.
Conclusão? 45 minutos da minha vida perdidos. 45 minutos do meu dia de folga perdidos. Eu que até sou inteligente e tal ando metido numa fábrica. Estas p"#$" dum c"#$"# atrás de um balcão no Jumbo.
Qualquer dia abro o telejornal. E vocês ficarão orgulhosos de mim...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

TILT

A minha actividade propriamente dita na fábrica deste ano é a seguinte (soam os tambores, ouvem-se os suspiros de suspense...): operador de picking (ou piking, como aparece muitas vezes escrito naquela fábrica...já desisti de corrigir o erro). E, perguntam vocês cheios de entusiasmo, o que é um operador de picking? Boa pergunta.
A empresa para a qual trabalho tem cerca de 150 lojas, e considerando que produz centenas de produtos diferentes, o armazém é um caos. Organizado, mas não deixa de ser um caos. Cada loja faz unma encomenda diária diferente. E cabe aos operários do picking levar o produto à loja (neste caso, à palete com uma placa com o nome da loja). Trocando isto por miúdos, eu sou o gajo que carrega uma palete de um lado para o outro a separar caixas por outras paletes, num circuito interminável de voltas e caixas. Oito horas por dia.
Não existe muita pressão para que corramos de um lado para o outro. Aliás, tentem lá correr a arrastar uma palete com 1000 quilos de carga. Seria um momento engraçado. E impossível.
O problema é que chegamos a uma altura em que tudo aquilo parece o mesmo. Tudo igual, tudo na mesma. Cansaço à mistura, físico e principalmente mental. Porque oito horas seguidas sozinho com o meu cérebro não é fácil. O que me leva ao propósito deste post. A minha insanidade mental.
Começo a fazer jogos com a mente. Canso-em desses jogos. Invento novos. Falo sozinho. Resmungo muito sozinho.
Hoje dei comigo a cantar Spice Girls. E mais não digo...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Fábrica número 35

Chateia-me ter que gramar as férias em fábricas. Não pelo trabalho, pelo salário miserável, pelo esforço extra que isto começa a ter no meu corpo. Isso são apenas detalhes numa vida cheia de experiências e histórias para contar.
Irrita-me estar numa fábrica pelas pessoas que me rodeiam. Seres humanos mesquinhos e sem um pitadinha de sal naqueles corpos.
Existem três grandes tipos de operários fabris, e dentro destes existem sub-grupos que podem, ou não, estar interligados, tornando-os todos primos.
O primeiro grupo, e o que mais me afecta, aqueles que vivem para aquilo. Que julgam que aquele trabalho é de uma importância vital e que tem de ser dempenhado daquela forma específica, senão o fim do mundo ocorre e ficamos todos carbonizados após a passagem dos cavaleiros do apocalipse.
O segundo grupo é o dos que não querem saber de nada daquilo. Que se lixe, só aqui estou para ganhar uns cobres, e até vou vendo umas gajas/gajos bons. A sério que eles pensam mesmo isto.
O terceiro grupo, e o mais assustador de todos, aqueles que vão para ali porque aquilo é o único sítio onde se podem mostrar. Mostrar que sabem gritar, mostrar o decote, mostrar que são umas promíscuas do caraças. Mostrar aquilo que não são na vida real.
Todos estes grupos pecam pela falta de inteligência e de humor. Alguns membros dos grupos pecam pela idade. Ou são novos demais, ou velhos demais.
Existe aquela minoria que se limita a ir para lá trabalhar, fazem o seu trabalho, não incomodam ninguém e são felizes na sua vida. A esses agradeço.
Mais uns dias e vejo-me livre de mais uma fábrica. Que isto começa a pesar nos ossos.

domingo, 3 de agosto de 2008

A new hope

A minha vida voltou a ser o que era. Pronto, talvez não exactamente, mas o mais aproximado possível. Voltei a poder respirar de alívio, visto que muitas das coisas que me fizeram temer pelo futuro foram remendadas de uma forma ou outra.
Claro que continuo no meu glorioso emprego de férias, numa qualquer indústria perdida pelo Ribatejo, mas de males necessários vive o homem. Faltam apenas mais uns dias naquilo para poder voltar à minha vida de "ócio" de senhor professor mal pago. Talvez também existam alguns desenvolvimentos nessa área, graças à ajuda de uma alentejana muito especial que todos nós conhecemos como Dina, e à qual agradeço novamente tudo o que tem feito por nós.
Posto isto, e deixando de falar na minha vidinha de treta, tenho que prestar homenagem à menina Elvira que foi operada e à qual não disse nada, porque sou uma besta. Ou isso, ou os meus problemas também andavam a tomar todo o meu tempo. Mas voto mais na hipótese da besta.
Elvira, ainda bem que correu tudo bem e que estás a recuperar na perfeição. Um beijo do fundo do meu coração.
Outro beijo vai para a Teresinha que anda muito viajada. Por tudo o que tens feito por nós, pela força que nos tens dado. Obrigado do fundo do coração. (eu já sei que vais começar a dizer que não queres momentos lamechas em público...).
O último beijo do dia vai para a Azul, que anda perdida por terras de Brunis e Sarkozis. Que tudo te esteja a correr bem e que ainda te vá fazer uma visita um destes dias.
Agora vou pôr as patas em cima da mesa, o sofá debaixo do rabo e aproveitar o que me resta deste dia de folga. Já volto.